Rúben Pacheco será o mais novo sacerdote dos Açores

06-08-2014 22:33

“EXIGIR DETERMINADAS CONDIÇÕES SOBRE O QUE DEUS QUER FAZER DE MIM É QUERER MANDAR EM DEUS”

Ruben Pacheco será a partir de sábado o mais novo sacerdote dos Açores, ordenado pelo Bispo de Angra. Com 24 anos, diz-se preparado para enfrentar a nova missão... que afinal é a mesma de sempre : “levar Cristo a todos”
 

 

Portal da Diocese  (PD)- Que  sentimento o invade nesta altura, em que chega ao fim de um ciclo que marca o inicio de um novo ciclo bem mais exigente?

 

Ruben Pacheco (RP)- É-me muito difícil descrever o sentimento que me invade nesta altura, a poucos dias de ser ordenado. Por um lado,  a alegria e o entusiasmo de se aproximar a concretização de um sonho. Por outro, o receio normal de quem vai abarcar uma nova missão, nunca sabe completamente o que Deus tem preparado, o que virá a seguir e se vai correr bem.

 

 

PD- O desafio maior ainda está para chegar. Como é que encara esta nova etapa de vida?

 

RP- Esta etapa de vida para mim é exatamente como a definiu, nova. E como algo novo, esta etapa possui ansiedade e receio mas, também, tem muita novidade e surpresa e também uma descoberta e aprendizagem.

 

 

PD- Qual é o seu principal receio?

 

RP- O meu principal receio é estar fechado à graça e ação de Deus na minha vida e no exercício do ministério e de não conseguir reconhecer a Sua vontade.

 

 

PD- Esteve seis anos no Seminário. Sente-se preparado para enfrentar os desafios que se colocam a um líder de uma comunidade paroquial?

 

RP- É impossível alguém sentir e estar plenamente preparado para uma tarefa se nunca a experimentou antes, assim como alguém que começa uma nova missão e tarefa, seja ela qual for. Contudo, se não fosse o percurso no Seminário de Angra não me sentiria minimamente preparado e agradeço a Deus todo o trabalho e dedicação que o Seminário teve para comigo.

 

 

PD-  Há um professor seu que diz que, em certo sentido, o seminário serve para formar padres, não Doutores. Considera que teve uma boa formação para enfrentar com tranquilidade o ministério sacerdotal?

 

RP- A principal missão do Seminário é formar padres. Se o Seminário não formasse bem os seus alunos não teríamos bons sacerdotes. Por isso, acredito que a formação que o Seminário me ofereceu nos vários aspetos pastoral, espiritual, humano e científico foi muito boa para possuir bases para começar bem o ministério sacerdotal. 

 

 

PD- No último Conselho Presbiteral foi unânime a preocupação da hierarquia diocesana em dedicar mais tempo a acompanhar os sacerdotes mais novos que muitas vezes chegam às paróquias e são como que abandonados. Já fez trabalho “de campo”, tem esta noção?

 

RP- Pela partilha de alguns testemunhos de colegas de seminário que já são sacerdotes, creio que quando entramos na paróquia temos como primeiro impulso pensar que ainda continuamos a viver no Seminário, pois estivemos no Seminário no mínimo 6 anos. O Seminário terminou a sua tarefa e não nos poderá acompanhar pois já concluiu a sua missão para com os sacerdotes e tem que cuidar dos ainda seminaristas. Mas acredito que os sacerdotes com mais experiência e os colegas de zona não deixarão abandonados os mais novos.

 

 

PD-  Que tipo de acompanhamento gostaria de ter nestes primeiros tempos da sua ordenação?

 

RP- Nos primeiros tempos pós ordenação gostaria de sentir o apoio, quer dos colegas sacerdotes da zona onde irei ser pároco, quer dos meus paroquianos.

 

 

PD- Hoje ser padre é diferente do que era há algum tempo atrás. As populações são mais esclarecidas e exigentes. Mas ao mesmo tempo também mais indiferentes e menos comprometidas com a religião e sobretudo com a igreja. Ciente destas dificuldades qual vai ser a sua estratégia?

 

RP- Por mais esclarecimento e exigência que as populações possuam e mesmo que estas estejam menos comprometidas com a religião e com a Igreja, todas possuem o desejo de alcançar a Deus. Não se pode ficar indiferente a esse sentimento e a esta semente de “fé”, aproximando e fazendo parte da vida das populações para aproveitar tudo de bom que possuem para fazer caminho e crescer.

 

 

PD- É um jovem com 24 anos. Neste primeiros tempos de ordenação que tipo de paróquia gostaria de liderar?

 

RP- É-me indiferente o tipo de paróquia que gostaria de liderar. Deus quando envia, não envia para um grupo específico mas para todos sem distinção, e exigir determinadas condições sobre o que Deus quer fazer de mim é querer mandar em Deus. Para mim as paróquias que gostaria de liderar são aquelas que Deus me colocar por meio do Bispo, pois são para estas e não para outras que Ele precisa de mim.

 

 

PD- No último Conselho Presbiteral falou-se muito da Exortação Apostólica do Papa Francisco. Na Alegria do Evangelho ele interpela muito os sacerdotes. Como é que vê estas interpelações e como é que as vive?

 

RP- Vejo estas interpelações como um incentivo para que os sacerdotes vivam a sua missão de pastor e continuem a zelar com ardor pelo rebanho confiado. 

 

 

PD- Será o 52º sacerdote a ser ordenado pelo atual Bispo de Angra, o decano dos bispos portugueses. Como vê a organização da Igreja nos Açores?

 

RP- Sobre a organização da Igreja existente nos Açores acho que é única, especial e muito interessante, pelo facto de ser uma diocese que possui variedade e especificidade. Só o facto de numa diocese estarem 9 ilhas completamente diferentes entre si é algo digno de se destacar. 

 

 

PD- Qual é para si o principal desafio diocesano dos próximos tempos?

 

RP- Para mim o desafio diocesano dos próximos tempo é e será o mesmo que foi desde o princípio do Cristianismo: levar a mensagem e a presença de Cristo a todos. 

 

 

(nota de redação: a entrevista ao diácono Ruben Pacheco segue a mesma estrutura da entrevista realizada ao então diácono Bruno Espínola, ordenado sacerdote, na Igreja Matriz de Santa Cruz da Graciosa, no passado dia 13 de julho)


Carmo Rodeia
in Portal da Diocese