As vocações germinam na comunidade cristã

 

         Neste ano dedicado à contemplação e à experiência da misericórdia divina, o Santo Padre na mensagem para a jornada mundial de oração pelas vocações quis unir a misericórdia divina e a vida em Igreja para nos convidar a um compromisso pelas vocações.

         Desde logo o tema que quis dar à sua mensagem é bastante eloquente ao afirmar que a Igreja é a mãe das vocações porque «A Igreja é a casa da misericórdia e também a “terra” onde a vocação germina, cresce e dá fruto».

         Assim, deparamo-nos com um primeiro compromisso que pertence à comunidade cristã. Através da formação e catequese, através da celebração litúrgica e através da partilha fraterna, a comunidade tem como último objectivo oferecer a cada cristão a possibilidade de se encontrar com Jesus Cristo vivo que chama e envia em missão.

         A Igreja constituída por um povo chamado, cada um segundo a vocação própria, e enviado em missão no meio do mundo.

         Por isso, afirma o santo Padre que na Igreja nasce, cresce e se sustenta a vocação. Eis a grande tarefa de cada comunidade cristã.

         Na comunidade o papel do sacerdote é fundamental no despertar e no acompanhar das vocações. Di-lo o Papa Francisco ao afirmar que «o cuidado pastoral das vocações é uma parte fundamental do seu ministério». Por isso, «os sacerdotes acompanham tanto aqueles que andam à procura da própria vocação, como os que já ofereceram a vida ao serviço de Deus e da comunidade».

         Um segundo âmbito da experiência vocacional é a família. Os pais e demais membros da comunidade familiar são chamados a oferecer aos seus filhos e familiares uma educação tal que leve a criança e o jovem a reconhecer que deve escutar o chamamento de Jesus Cristo e generosamente responder-Lhe. Eis a maior de todas as exigências educativas para o bem de cada jovem que é convidado a escolher e a responder perante o seu futuro.

         Mas o meu apelo vai dirigido a cada um dos jovens que se inquietam por acertar no seu futuro. Só Jesus Cristo nos ama de modo total e perfeito. Só Jesus Cristo conhece o nosso íntimo e sabe despertar em nós o amor para uma resposta que nos orienta para o bem dos nossos irmãos.

         Que cada jovem se coloque perante a beleza do amor de Jesus Cristo e generosamente aceite o convite que Ele lhe dirige porque sendo um chamamento amoroso tem sempre em vista o bem maior de cada um.

         Com o olhar fixo em Maria de Nazaré, todos os fiéis são chamados a responsabilizarem-se pelas vocações.

Daí a oração insistente para que o Senhor ofereça à Sua Igreja as vocações que ela necessita. Estamos conscientes que «a maternidade da Igreja exprime-se através da oração perseverante pelas vocações e da acção educativa e de acompanhamento daqueles que sentem a chamada de Deus».

A força da Igreja está na forma como cada cristão assume a vocação a partir do chamamento divino e se empenha na missão evangelizadora.

 

+João Lavrador

 

Bispo de Angra e Ilhas

NOTA PASTORAL

 

 

«Sede Misericordiosos como o Pai»!

 

 

É o lema que o Papa Francisco nos propõe para o Ano Santo da Misericórdia, que tem início no próximo 8 de Dezembro de 2015.

 

1.     A Alegria do Evangelho

 

Na Exortação Apostólica – A Alegria do Evangelho (AE) -  o Papa Francisco recomenda «uma nova “saída” missionária da Igreja», no sentido de passar de «uma pastoral de mera conservação para uma pastoral decididamente missionária» (AE 15), que leve a comunidade cristã a passar «duma Igreja clerical a uma Igreja toda ministerial» (AE 15):

 

Vão nesse sentido as Orientações Diocesanas de Pastoral para 2015/2016, que explicitam o compromisso da Diocese de se por em movimento, neste Ano Santo da Misericórdia, no sentido de promover um autêntico processo de «de uma nova saída missionária da Igreja» (AE.20), como recomenda o Papa Francisco.

 

2. Ano Santo, segundo a tradição bílblica (cf. Levítico 25)

 

O Ano Santo, segundo a tradição bíblica, correspondia ao Ano do Jubileu, em que os judeus consagravam ao Senhor o ano: não trabalhavam a terra; viviam dos frutos, que ela espontaneamente oferecia; os escravos eram libertos e toda a terra voltava à posse do seu dono original. Na Torá, o Jubileu era o 50º ano, em que terminava a semana da “semana de anos” dos anãos de Jubileu…

 

Na tradição católica, celebra-se o Jubileu cada 25 anos, ou em ocasiões especiais, por decisão do Santo Padre.

 

  1. «Sede misericordiosos como o Pai»!

 

É o lema para o Ano Santo da Misericórdia, proposto pelo Papa Francisco.

Ora, para ser “misericordiosos como o Pai”, é preciso olhar para Cristo. Foi Ele próprio que o disse: «Filipe, quem Me vê, vê o Pai».

 

Efetivamente, Jesus revela o Deus-Amor, amor que tem a sua “máxima expressão na misericórdia”: “misericórdia” que significa ter a capacidade de “se com-padeder”, isto é, de “padecer-com”, de se pôr no lugar do outro, como Jesus, que Se fez um de nós, para que, com Ele e como Ele, tenhamos a vida com abundância.

 

  1. «Sinais» do Jubileu Extraordinário da Misericórdia

 

 A coincidir com o Cinquentenário do encerramento do Concílio Vaticano II (8 de Dezembro, Solenidade da Imaculada Conceição), Santo Padre abrirá a «Porta Santa» da basílica de S. Pedro. E convida os Bispo do mundo inteiro a abrirem a «Porta Santa» nas próprias Dioceses, no Domingo seguinte (cf Papa Francisco, Misericordiae Vultus, Bula de Proclamação do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, 11 de Abril de 2015 (BJEM).

 

«Jesus Cristo é o rosto da misericórdia do Pai… Quem o vê, vê o Pai (cf. Jo 14, 9). Com a Sua palavra, os Seus gestos e toda a Sua pessoa (cf. Dei Verbum 4), Jesus de Nazaré revela a misericórdia do Pai» (BJEM):

 

- “A «Porta Santa» é um símbolo muito expressivo. Se, por um lado, ela permite a entrada… também é a abertura por onde se sai para o mundo, ambiente onde o cristão tece habitualmente a sua existência e que deve fermentar com a verdade do Evangelho”… Na festa da Imaculada Conceição, terei a alegria de abrir a Porta Santa. Será então uma Porta da Misericórdia, onde qualquer pessoa que entre poderá experimentar o amor de Deus que consola, perdoa e dá esperança. No Domingo seguinte, o 3º Domingo do Advento, abrir-se-á a Porta Santa na Catedral de Roma, a Basílica de S. João de Latrão. E em seguida será aberta a Porta Santa nas outras Basílicas Papais.

Estabeleço que no mesmo Domingo, em cada Igreja Particular – na Catedral, que á Igreja-Mãe para todos os fiéis, ou na Concatedral ou então numa Igreja de significado especial – se abra igualmente, durante todo o ano Santo, uma Porta da Misericórdia. Por opção do Ordinário, a mesma poderá ser aberta também nos Santuários” (BJEM).

 

- “A Peregrinação é um sinal peculiar no Ano Santo, enquanto ícone do caminho que cada pessoa realiza na sua existência. A vida é uma peregrinação e o ser humano é viator, um peregrino que percorre uma estrada até à meta anelada. Também para chegar à Porta Santa, tanto em Roma, como em cada um dos outros lugares, cada pessoa deverá fazer, segundo as próprias forças, uma peregrinação. Esta será sinal de que a própria misericórdia é uma meta a alcançar que exige empenho e sacrifício” (BJEM).

 

- “O Jubileu inclui também a referência à Indulgência. Esta, no Ano Santo da Misericórdia, adquire uma relevância particular. O perdão de Deus para os nossos pecados não conhece limites… Por isso, Deus está sempre disponível para o perdão, não se cansando de o oferecer de maneira sempre nova e inesperada… Deus perdoa os pecados, que são verdadeiramente apagados, mas o cunho negativo que os pecados deixaram nos nossos comportamentos e pensamentos permanece. A misericórdia de Deus, porém, é mais forte do que isso. Ela torna-se Indulgência do Pai “ (BJEM).

 

- “Voltam à mente aquelas palavras, cheias de significado, que S. João XXIII pronunciou na abertura do Concílio Vaticano II para indicar a senda a seguir: «nos nosso dias, a Esposa de Cristo prefere usar mais o remédio da Misericórdia do que o da severidade (…)». E, no mesmo horizonte, havia de colocar-se o Beato Paulo VI, que assim falou na conclusão do Concílio: «Desejamos notar que a religião do nosso Concílio foi, antes de mais, a caridade (…). Aquela antiga história do bom samaritano foi exemplo e norma segundo os quais se orientou o nosso Concílio»” (BJEM). 

 

- “Neste Santo, poderemos fazer a experiência de abrir o coração àqueles que vivem nas mais variadas periferias existenciais, que muitas vezes o mundo contemporâneo cria de forma dramática. Quantas situações de precariedade e sofrimento presentes no mundo atual! Quantas feridas gravadas na carne de muitos que já não têm voz, porque o seu grito foi esmorecendo e se apagou por causa da indiferença dos povos ricos. Neste Jubileu, a Igreja sentir-se-á chamada ainda mais a cuidar destas feridas, aliviá-las com o óleo da consolação, enfaixá-las com a misericórdia e tratá-las com a solidariedade e a atenção devidas (…). É meu vivo desejo – explicita o Santo Padre - que o povo cristão reflita, durante o Jubileu sobre as obras de misericórdia corporal e espiritual… A pregação de Jesus apresenta-nos estas Obras de Misericórdia, para podermos perceber se vivemos ou não como Seus discípulos” (BJEM).

 

 

     5. Igrejas Jubilares e Peregrinação nas Ouvidorias

 

Para além da Igreja Catedral que será, para a Diocese, a igreja jubilar por excelência, também são designadas como igrejas jubilares os cinco Santuários Diocesanos: Santo Cristo em Ponta Delgada, Bom Jesus no Pico, Nª. Sª. da Conceição em Angra, Santo Cristo da Caldeira em S. Jorge e Nª. Sª. dos Mi­lagres da Serreta na Terceira, e ainda outras igrejas especial­mente significativas em cada ilha e ouvidoria.

A visita da imagem peregrina poderá coincidir com essa igreja jubilar ou com outra, na ilha ou ouvidoria, com a invocação à Virgem Maria, particularmente a Nª Sª. do Rosário, de Fátima ou da Misericórdia.

 

A Igreja do Cabouco (São Miguel), dedicada a Nossa Senhora da Misericórdia seja considerada Igreja Jubilar, onde uma equipa de Missionários da Misericórdia garanta o apoio continuado às iniciativas do Ano Santo da Misericórdia.

 

À prática da peregrinação está ligada a Indulgência Jubilar que exige a celebração do Sacramento da Reconciliação, a comunhão eucarística, a oração pelo Santo Padre e a contrição perfeita. Para além da participação numa acção litúrgica requer-se a oração do Pai-nosso, a Profissão de Fé e a invocação da Virgem Maria.

 

       6. Visita da imagem peregrina a cada ilha

 

Trata-se de um momento da missão evangelizadora na Igreja e da Igreja. A visita da mesma imagem nas décadas de 40 e 80 do século passado mobilizou todas as comunidades cristãs num acolhimento caloroso, marcado pela alegria de receber, na fé, o ícone da Mãe de Deus, contemplação do rosto terno e misericordioso de Deus, sempre objecto da devoção e do carinho dos fieis. Agora, de 7 de Janeiro a 28 de Fevereiro de 2016, na simplicidade e na grandeza de povo crente, entoaremos com Maria o cântico de louvor e gratidão a Deus pela grandeza das suas obras, proclamando com entusiasmo a profecia: «de hoje em dia me chamarão bem-aventurada todas as gerações» (Lc. 1, 48).

 

Os Bispos de Portugal, a este propósito, convidam «o Povo de Deus a entrar em profundidade na celebração da sua fé, particularmente por meio da participação na Eucaristia, na celebração do Sacramento da Penitência e da Unção dos Doentes; para incentivar à oração de adoração diante do Santíssimo Sacramento, tão característica da espiritualidade de Fátima; e para relançar o hábito da oração mariana do Rosário nas famílias cristãs, acompanhada pelas meditações bíblicas e pelo silêncio contemplativo».

 

As crianças são convidadas a crescer no amor a Jesus e Nossa Senhora, seguindo o exemplo dos três Pastorinhos. Pede-se que todos acolham a imagem da Virgem Peregrina com sobriedade e que a visita seja ocasião de solicitude e partilha com os pobres. A todos se exorta a acolher a Virgem Peregrina de Fátima como a imagem da “Igreja em saída”, que vai ao encontro dos seus filhos e filhas em todas as periferias para lhes levar o anúncio de Jesus Cristo como o único Salvador». (CEP, 16 de abril de 2015).

 

 

  7. «A Porta da Misericórdia»

 

- «Maria, Mãe de Ternura e de Misericórdia» é a figura e modelo da Igreja (cf. D. António Marto, Nota Pastoral, 15 de Setembro de 2015). É a Porta da Misericórdia, que nos conduz a experimentar a misericórdia divina, sempre maior que o nosso pecado. «Como a mulher do Apocalipse (Ap 12, 1-10) não nos deixa sós, mas assiste-nos na constante luta contra as forças do mal… De fato, depois de elevada aos Céus, não abandonou esta missão salutar… Com o Seu amor de Mãe, convida os irmãos de Seu Filho, que ainda peregrinam e se debatem entre perigos e angústias, até que sejam conduzidos à Pátria feliz. Por isso, a Santíssima Virgem Maria é invocada na Igreja com os títulos de Advogada, Auxiliadora, Amparo e Medianeira» (LG  62).

 

- «O pensamento volta-se agora para a Mãe de Misericórdia –sugere o Papa Francisco. A doçura do Seu olhar nos acompanhe neste Ano Santo, para podermos todos nós redescobrir a alegria da ternura de Deus. Ninguém, como Maria, conheceu a profundidade do mistério de Deus feito homem. Na Sua vida, tudo foi plasmado pela presença da misericórdia feita carne. A Mãe do Crucificado Ressuscitado entrou no santuário da misericórdia divina, porque participou no mistério do Seu amor…

 

- «O Seu cântico de louvor, no limiar da casa de Isabel, foi dedicado à misericórdia, que se estende “de geração em geração” (Lc 1, 50). Também nós estávamos presentes naquelas palavras proféticas da Virgem Maria. Isto servir-nos-á de conforto e apoio no momento de atravessarmos a Porta Santa, para experimentar os frutos da misericórdia divina… Maria atesta que a misericórdia do Filho de Deus não conhece limites e alcança a todos, sem excluir ninguém. Dirijamos-Lhe a oração, antiga e sempre nova, da Salve Rainha, pedindo-Lhe que nunca se canse de volver para nós os Seus olhos misericordiosos e nos faça dignos de contemplar o rosto da misericórdia, Seu Filho Jesus» (BJEM).

 

A Virgem Mãe nos repete ainda hoje, como outrora nas Bodas de Cana: Fazei tudo o que Cristo vos disser. Ela não tem nada mais a dar-nos senão o Seu Filho, Único Salvador do mundo. Ela é realmente a Porta da Misericórdia.

 

Prodígio da graça divina, foi Imaculada desde a Sua Conceição, subiu ao céu em corpo e alma e foi coroada como rainha do céu e glória de todos os santos. É a Porta Santa da Misericórdia. Eis o Teu Filho – diz Jesus a João, no alto da Cruz. E, a partir daquele momento – assinala o texto evangélico – o discípulo recebeu-a em sua casa. Efetivamente, não se pode ser discípulo missionário - como recomenda o Papa Francisco – se Nossa Senhora não for de casa.

 

 

 

+ António, Bispo de Angra

 

 

 

Angra, 08 de Dezembro de 2015

Solenidade da Imaculada Conceição.

 

 

BISPO SUBLINHA IMPORTÂNCIA DA EXISTÊNCIA DO SEMINÁRIO DE ANGRA

 

Balanço da primeira visita pastoral

As exigências financeiras e formativas, que decorrem do facto do Seminário Episcopal de Angra ser “uma estrutura pesada e cara”, com poucos recursos humanos e com um baixo número de alunos, “não são suficientes” para o Bispo de Angra encerrar a casa a dois anos do final do seu ministério episcopal. 

“O Seminário é demasiado importante para ser eu a encerrá-lo ainda que perceba que existem dificuldades que têm de ser ponderadas a todo o tempo” disse esta segunda feira ao Portal da Diocese D. António de Sousa Braga, em jeito de balanço da primeira visita pastoral que está a realizar há uma semana ao Seminário, desde que é Bispo

Dificuldades que, na opinião do Prelado Diocesano, são agravadas pela “falta de orientações nacionais” sobre a “formação de sacerdotes e a distribuição geográfica dos seminários” que “cada uma das dioceses vai resolvendo como pode e nós decidimos que este Seminário é muito importante para preservar a proximidade da formação pastoral”, adianta D. António de Sousa Braga.

“Encaramos com naturalidade que o último ano de formação possa ser feito em Lisboa, nomeadamente na Faculdade de Teologia da Universidade Católica como forma dosnossos formandos, sobretudo os que não pretendam seguir o sacerdócio, poderem ter acesso a um grau académico, mas a nossa prioridade é para que a formação seja feita nos Açores, com a devida proximidade pastoral”, reforça o prelado diocesano.

Esta, é de resto, uma das hipóteses que está em estudo no pedido de reconhecimento do plano curricular oferecido durante os seis anos da formação (ano zero e mais cinco), feito pelo Seminário à Universidade Católica. 

“Sabemos que a Faculdade de Teologia está em reestruturação, de acordo com as orientações da Santa Sé e por isso aguardamos que até ao inicio do verão possamos ter esse reconhecimento e, sobretudo, o caminho aberto para uma negociação mais abrangente”, reforça o Reitor, Pe Hélder Miranda Alexandre, em declarações ao Portal.

O enriquecimento curricular do sexto ano, através inclusive de um reforço formativo da vivência pastoral, a introdução de alterações curriculares pontuais e a reformulação do próprio regulamento interno, abrindo cada vez mais a formação do Seminário a leigos, nomeadamente para a formação de diáconos, “foram aspetos muito relevantes desta visita”, sublinha o Reitor, que não esconde a sua preocupação pelo reduzido número de alunos.

“Temos de ser capazes de os cativar e por isso, também, a questão do reconhecimento do nosso plano de estudos é importante”, diz Hélder Miranda Alexandre.

É neste esforço de captação de alunos que o Bispo também insiste convidando todos os cristãos “a trabalharem para aumentar o número de alunos do seminário”.

Questionado sobre o momento desta visita ter ocorrido na altura em que se registaram cinco saídas,  o Bispo de Angra diz que ela “foi uma coincidência” pois já estava programada para o ano letivo anterior (quando o Seminário celebrou 150 anos) mas foi “impossível de concretizar devido a compromissos de agenda”.

No entanto, D. António de Sousa Braga ressalva que também foi “importante nesta altura porque me permitiu dar uma palavra de alento, sobretudo aos alunos mais novos que quando veem os colegas irem embora ficam abalados e aos próprios formadores que por vezes ficam desanimados”.

Em ambos os casos “procurei dar uma palavra de conforto lembrando que o seminário tem objetivos que tanto são cumpridos quando se leva os jovens até à ordenação como quando os ajudamos no seu discernimento”, conclui o responsável pela Igreja católica nos Açores.

Em relação à equipa formadora, que cessa funções este ano letivo, “ainda é cedo” para anunciar decisões mas “não estou a prever alterações de fundo” e as que existirem “serão pontuais e de acordo com os contatos e disponibilidades de algumas paróquias”.

Há, neste momento, alguns sacerdotes que estando ligados ao Seminário são também responsáveis por paróquias e isso “por vezes também complica”.

“Fiquei muito satisfeito com o que vi e ouvi da boca de todos- equipa formadora, professores e alunos-, vivi realmente a dinâmica desta vida comunitária e percebi que não tenho condições para encerrar o Seminário, nem é essa a minha vontade. Não serei eu a fazê-lo”, conclui o Bispo de Angra.

O Seminário Episcopal de Angra, fundado há 150 anos, tem 21 alunos, 7 dos quais no ano zero, provenientes de São Miguel e 16 professores, sendo que cinco são convidados pontualmente.


Carmo Rodeia

Carta Pastoral Quaresma de 2014

 

CAMINHADA DE CONVERSÃO

 

Na Sua Mensagem para a Quaresma deste ano, o Papa Francisco apresenta-nos a  caminhada de conversão à pobreza evangélica, no seguimento de Cristo, que fez-Se pobre, para nos enriquecer com a Sua pobreza (cf. 2 Cor 8, 9). 

 

«Faz impressão – adverte o Santo Padre – ouvir o Apóstolo dizer que fomos libertados, não por meio da riqueza de Cristo, mas por meio da Sua pobreza… Não se trata dum jogo de palavras, duma frase sensacional. Pelo contrário, é uma síntese da lógica de Deus: a lógica do amor, a lógica da Encarnação e da Cruz…

 

«Em que consiste, então, esta pobreza, com a qual Jesus nos liberta e torna ricos? É, precisamente, o seu modo de nos amar, o seu aproximar-se de nós, como fez o Bom Samaritano com o homem abandonado, meio morto, na berma da estrada (cf. Lc 10, 25-37)… A pobreza de Cristo, que nos enriquece, é Ele fazer-Se carne, tomar sobre si as nossas fraquezas, os nossos pecados, comunicando-vos a misericórdia infinita de Deus» (Papa Francisco, Mensagem para a Quaresma 2014=MQ 2014).

 

1. Primado da Graça

 

Nesse sentido, não há caminhada de conversão, sem experimentar o Primado da Graça, na nossa vida. «A salvação, que Deus nos oferece, é obra da Sua misericórdia… Por pura graça…». (Papa Francisco, Evangelii Gaudium=EG, 112). Em Cristo e por Cristo.

 

Desta primazia da graça deriva a centralidade de Cristo, na vida cristã. Não há conversão, sem o encontro pessoal com a Pessoa de Cristo. «Em cada época e lugar, Deus continua a salvar os homens e o mundo por meio da pobreza de Cristo, que Se faz pobre nos Sacramentos, na Palavra e na Sua Igreja…» (MQ 2014). 

 

Daqui o lugar determinante da Liturgia, na nossa caminhada de conversão. Para experimentar a força transformadora da graça, a Quaresma tem de ser um momento de intensa vida sacramental, nomeadamente a celebração da Eucaristia e da Reconciliação.

Os tradicionais “Laus Perenis”, com a celebração do Sacramento da Reconciliação, são momentos fortes a valorizar e a tornar significativos, como encontro pessoal com a Pessoa de Cristo, Nosso Salvador.

 

2. Primado da Palavra

 

«Completou-se o tempo e aproxima-se o Reino de Deus; mudai de vida e acreditai no Evangelho» (Mc 1, 15). Foi assim que Jesus iniciou a Sua pregação. A conversão implica mudança de vida, pelo caminho do Evangelho de Jesus, que é preciso conhecer sempre melhor, para pôr em prática.

A Quaresma, como caminhada de conversão, implica, pois, assídua escuta e meditação prolongada da Palavra do Evangelho. O Papa Francisco interpela continuamente a Igreja, no sentido de levar o Evangelho de Jesus a todas as periferias existenciais. Mas o querigma também tem de ressoar dentro da comunidade eclesial. Também os que estão dentro da Igreja precisam de escutar e meditar este primeiro anúncio.

 

«Ao designar-se como “primeiro” este anúncio, não significa que o mesmo se situa no início e que, em seguida se esquece ou substitui por outros conteúdos que o superam; é o primeiro, em sentido qualitativo, porque é o anúncio principal, aquele que se tem de ouvir sempre, de diferentes maneiras e aquele que se tem de anunciar sempre, de uma forma ou de outra, durante a catequese, em todas as suas etapas e momentos» (EG, 163).

 

3. Primado do Testemunho

 

Hoje fala-se muito de Nova Evangelização. O Papa Francisco, na recente Exortação Apostólica - «A Alegria do Evangelho» - insiste na conversão pastoral. E também na conversão das pessoas. É que não há Evangelização, sem testemunho de vida. A Igreja só transmite a fé que vive. É verdade que a fé é dom de Deus. Vem do Alto, mas através da mediação da Igreja, que somos todos nós os baptizados. Para que as pessoas abram o seu coração ao dom da fé, têm de ver algo, na nossa vida, que as interpele.

 

Urge, nesta Quaresma, fazer um sério exame de consciência, para ver até que ponto damos testemunho às pessoas, para descobrirem, na proposta cristã, algum sentido para a vida. E, como sabemos, o grande testemunho da fé cristã é o amor fraterno.

 

Não há conversão a Cristo, se não nos convertermos ao irmão. «Sempre que fizestes isto a um destes Meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes» (Mt 25, 40). Jesus identifica-se com o nosso próximo. Não O podemos servir, sem servir o irmão. «Nisto conhecerão que sois Meus discípulos, se vos amardes uns aos outros…, como Eu vos amei» (Jo 13, 34-35). Como é que Jesus nos amou? Dando a vida.

 

·       Renúncia Quaresmal

 

Amar é servir. E servir é dar a vida, colocar o próprio tempo, qualidades, competências e bens materiais ao serviço dos outros, indo ao encontro dos que mais precisam. Tal é o sentido da Renúncia Quaresmal, que queremos promover, ao longo deste tempo.

 

Trata-se de renunciar a algo, ao longo da Quaresma, para auxiliar quem mais precisa. No fim da Quaresma (Domingo de Ramos), o fruto desta renúncia será entregue à Caritas diocesana, para integrar o “Fundo de Emergência Social”, constituído com  receitas anteriores da Renúncia Quaresmal e por fundos da Caritas Nacional e dos Açores.

 

Esperamos que, com este e outros apoios, o Fundo possa continuar a cumprir a sua missão junto das pessoas e famílias mais carenciadas. Importa que os pedidos de ajuda sigam os tramites estabelecidos e já divulgados, para haver rigor e objectividade.

 

A Quaresma é tempo de jejum e abstinência, de que a renúncia é expressão. Não se trata apenas de dar do nosso supérfluo, mas de renunciar a algo, para ir ao encontro do irmão necessitado. Como sugere o Santo Padre, «a Quaresma é tempo propício para o despojamento; e far-nos-á bem questionar-nos acerca do que nos podemos privar, a fim de ajudar e enriquecer a outros com a nossa pobreza. Não esqueçamos que a verdadeira pobreza dói: não seria válido um despojamento sem esta dimensão penitencial. Desconfio da esmola que não custa nem dói» (MQ 2014).

 

·       Dia Nacional da Caritas

 

Dentro deste espírito de solidariedade cristã, realiza-se, em Portugal, no 3º Domingo da Quaresma (23 de Março), o Dia Nacional da Caritas, este ano, sob o lema: «Unidos no amor. Juntos contra a fome». É o tema da Campanha da Caritas Internacional contra a fome no mundo.

 

Será mais uma ocasião, para que a nossa caminhada quaresmal esteja marcada pelo que é essencial na vivência da fé cristã: o amor do próximo. O ofertório desse dia destina-se, precisamente, à Caritas diocesana. E, para comprometer toda a comunidade, nessa luta contra a pobreza, haverá, durante a semana, peditórios de rua, promovidos pela Caritas, com a finalidade de apoiar as pessoas e famílias, que continuamente e, sempre em maior número, recorrem ao apoio da Caritas.

 

·       Dia Diocesano do Doente

 

Como acontece em todo o Portugal, celebramos o Dia Diocesano do Doente, no Vº Domingo da Quaresma (6 de Abril). É também uma oportunidade, para pormos em prática o mandamento do amor, que não pactua com a “cultura do descartável”.

 

A Igreja «há-de chegar a todos sem excepção. Mas a quem deveria privilegiar? Quando se lê o Evangelho, temos uma orientação muito clara: não tanto aos amigos e vizinhos ricos, mas sobretudo aos pobres e doentes, àqueles que muitas vezes são desprezados e esquecidos, “àqueles que não têm com que te retribuir” (Lc 14, 14)» (Papa Francisco, EG 48).

 

O Dia Diocesano do Doente é mais uma oportunidade, para dar corpo, na caminhada da Quaresma, à solidariedade de proximidade. O amor autêntico não são palavras bonitas, mas actos e gestos concretos, que devem envolver pessoas e comunidades.

 

·       Jornada Mundial da Juventude

 

Para a Jornada Mundial da Juventude, que se celebra no Domingo de Ramos (13 de Abril), o Papa insiste de novo sobre a pobreza evangélica, explicando a 1ª das Bem-Aventuranças: «Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus» (Mt, 5, 3). Para que esta pobreza em espírito se transforme em estilo de vida, o Santo Padre aponta três caminhos:

 

a) «Antes de mais nada, procurai ser livres em relação às coisas. O Senhor chama-nos a um estilo de vida evangélico, caracterizado pela sobriedade, chama-nos a não ceder à cultura do consumismo. Trata-se de buscar o essencial, aprender a despojarmo-nos de tantas coisas supérfluas e inúteis que nos sufocam… Mesmo para superar a crise económica, é preciso estar prontos a mudar o estilo de vida, a evitar tantos desperdícios. Como é necessária a coragem da felicidade, também é precisa a coragem da sobriedade.

 

b) «Em segundo lugar, para viver esta bem-aventurança, todos necessitamos de conversão em relação aos pobres. Devemos cuidar deles, ser sensíveis às suas carências espirituais e materiais…

 

c) «Mas – e chegamos ao terceiro ponto – os pobres não são pessoas a quem podemos apenas dar qualquer coisa. Eles têm tanto para nos oferecer, para nos ensinar. Muito temos nós a aprender da sabedoria dos pobres… Os pobres podem ensinar-nos muito também sobre a humildade e a confiança em Deus…» (Papa Francisco, Mensagem para a Jornada Mundial da Juventude 2014).

 

Ao concluir, não podemos esquecer que, nesta Quaresma, celebra-se a 13 de Março o 1º aniversário da eleição do Papa Francisco e, a 19 de Março, comemora-se a Sua tomada de posse, como Bispo de Roma e Sumo Pontífice.

 

Ora, o Santo Padre pede continuamente que rezemos por Ele. Assim se exprime, no final da Mensagem Quaresmal deste ano: «Peço-vos que rezeis por mim».

Sabemos que os nossos Romeiros comprometeram-se a intensificar a oração pelo Papa, ao longo de toda a Quaresma. Vamos acompanhá-los, nessa Romaria de penitência e oração, pois «se o Senhor não edificar a casa, em vão se afadigam os construtores» (Sl 127).

 

 

+ António, Bispo de Angra

 

Angra, 22 de Fevereiro de 2014,

Festa da Cadeira de S. Pedro.